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AVISO PRÉVIO

quarta-feira - 19/11/2008

Comecei a trabalhar na Radiobrás ainda em 2002, enquanto ainda fazia faculdade. Já entrei com desvio de função, pois havia passado para Técnico de Produção e logo fui encaminhada para trabalhar como webdesigner. Diga-se de passagem, eu adorei, principalmente por causa do que acontecia nos bastidores da finada Secretaria de Internet, ou Senet para os íntimos… Naquela salinha também funcionava a quase clandestina editoria de cultura, tocada por muita boa vontade e paixão pelo trabalho.

Não, nós não ganhávamos um centavo a mais para, além de atualizar a primeira página da Agência Brasil na mão inúmeras vezes ao dia, criar trocentos especiais, galeria de fotos, e tudo o mais que inventassem, ainda extrapolar o horário de trabalho e cobrir os lançamentos do cinema nacional e festivais de cultura popular pelo Brasil, mas fazíamos tudo isso e muito mais. Nem sempre estávamos com um sorriso no rosto, porque, vamos combinar, o salário era baixo mesmo, mas, no fundo, no fundo,  a gente adorava.

O tempo foi passando e as coisas foram mudando, a editoria de cultura foi extinta, a equipe foi reduzida, minha chefe foi embora, e eu pedi para ser transferida para outro setor. Fui para o Clipping, onde, desde o primeiro dia, editava textos e supervisionava o trabalho dos estagiários, assim como qualquer outro jornalista que trabalhava comigo. Mas eu ainda não havia me formado e continuava a ganhar a mesma merrequinha de antes. Mas ainda me sentia satisfeita com o trabalho.

O problema começou mesmo quando, depois de cinco anos trabalhando na empresa como jornalista, recebi o meu primeiro quinquênio, um bônus de 5% sobre o salário pelo tempo de trabalho. Fora os reajustes anuais, jamais havia recebido um aumento no salário. Cheguei a receber uma gratificação – dessas que eu poderia perder de acordo com o humor da chefia -, mas nunca passou disso. Mesmo trabalhando à noite e recebendo adicional noturno, o meu salário nunca se aproximou dos meus colegas de trabalho. Me formei e a única coisa que aumentou foi a minha insatisfação.

Após mais de cinco anos, a nova direção da Radiobrás, agora Empresa Brasil de Comunicação (EBC), decidiu que era hora de corrigir o meu desvio de função… E me transformou em digitadora. Segundo uma diretora da empresa, a atividade de digitadora estava completamente de acordo com as minhas funções de produtora. Tentei novamente mudar de setor, o que me foi repetidamente negado, pelos mais diversos motivos. A essa altura do campeonato, eu já nem ligava mais mais para o salário, desde que meu trabalho me fizesse feliz.

Semana que vem eu completo cinco anos trabalhando na Radiobrás – ou EBC, whatever! -, mas, pela primeira vez em muito tempo, tipo anos, me sinto aliviada e não ligo mais de simplesmente digitar, mesmo sabendo que eu poderia e gostaria de estar fazendo muito mais. Cansei de brigar, de me estressar, de ficar doente por causa disso. Pedi demissão. A partir do dia 15 de dezembro não mais prestarei os meus serviços a essa empresa.

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